Em arquitectura é fornecido o conceito de “espaço devoluto” ou seja um espaço que perdeu a própria função, que fica parado e esquecido até encontrar uma hipótese de reconversão.
Existe uma escala de “gravidade” de perda de

função, em primeiro lugar está o estado de ruína, quando o espaço perdeu completamente a sua própria e primeira função de arquitectura: ser acessível e abrigar.

Considero este grau de elevada criticidade ser um potencial: as ruínas são espaços restituídos ao seu primeiro possuidor, neste caso a natureza da cidade. O que se pode tentar é torná-lo um sistema infra-estrutural da cidade.

O espaço em si já nos revela o que quer ser, necessitando de pequenas acções, simples, de superfície. A intervenção deveria só ajudar a relação entre o vazio e o seu limite, sublinhando a potencialidade dos dois, mudando ligeiramente as condições físicas para sair do estado de letargia.

Abrindo-as e deixando que o espaço colectivo, e os seus utilizadores, as invadam, as ruínas poderão entrar novamente em circulação. Uma vez que conseguem exibir as próprias potencialidades, as ruínas entraram numa fase de “descanso ocupado” para o encontro de nova fertilidade. O que quero sugerir é a criação de uma rede de intervenções temporárias para “cultivar” a rede de espaços devolutos.

Durante um ano e meio, este processo, apoiado e promovido pelas “Manobras no Porto” , levará a cidade ao conhecimento da situação e sensibilizará os interessados para o problema. O projecto * irá envolver o Porto, as suas instituições, os cidadãos, em diferentes fases; a tentativa é a de formar uma nova consciência urbana e de melhorar o aspecto e a vitalidade da cidade, para torna-la atraente e exemplar.

Chiara Sonzogni

* A concretização do projecto “ReTornáveis – Manobrar Ruínas” acontece no seguimento de uma dissertação de mestrado realizada na Faculdade Politecnico di Milano, no ano 2010).

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